Turbo na Harley - Estilo retro-clássico contrasta com uma turbina e diversos instrumentos modernos: a vontade de devorar as estradas ficou ainda maior.
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História da Harley - Ao olhar para uma Harley, captar a luz através de seus cromados, as pessoas devem ter a sensação de estar diante de uma jóia.
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Turbo na Harley

Se existe um ranking de marca mais customizada do mundo, o primeiro lugar é do mito americano Harley Davidson. Tudo, desde o mais singelo pisca lateral ao mais complexo sistema de comando de válvulas pode (e deve) ser mexido. Ter uma Harley é bom demais, mas ter uma Harley igual a do seu amigo ou vizinho não está com nada.

Nas páginas da sua SUPERMOTO é fácil ver de perto o mais puro tuning, como esta clássica Road King 2002, dona de um design imponente prestes a encher os olhos do mais insensível mortal. É linda? Sim, senhor. E é turbinada ainda por cima? Pode crer...O mais curioso é que esta Harley turbo nasceu de uma conversa de brincadeira entre o preparador Caio, da concessionária H.D., de Curitiba (PR) e o proprietário. Detalhes: ela estava com apenas 2.000 Km quando recebeu o kit turbo e hoje, com 10.000 km rodados, não apresentou nenhum problema.

A turbina usada é uma Máster Power .50 retrabalhada, escolha feita por se tratar de um equipamento nacional e confiável, baixando o custo de manutenção. Alimentada a gasolina e com pressão de sobrealimentação de 0,9 bar, a potência beira os 100cv, bem mais que seus 68cv originais. O trampo da instalação da turbina teve a participação de Ari Ebbers, preparador de carros, e do nosso colaborador Marcelo Peixoto. Tudo para deixar a Harley mais potente e, acima de tudo, lisa de funcionamento. Com o sistema de injeção eletrônica recalibrado, a moto se mostrou muito bem acertada: o motor responde rápido, sem buracos, desde os giros mais baixos. Não se trata de um canhão para enrugar o asfalto mas uma moto com desempenho melhorado, para um passeio mais radical, numa monstro com mais de 300 kg.

Como o kit vieram manômetro da turbina, manta térmica nos coletores de escape, radiador de óleo H.D., shift-light (luz de advertência para troca de marchas), manômetro do óleo da Custom Chrome e ainda um conta-giros trabalhando até 6.800 rpm de limite,

No restante, o motor V2 de 1.450 cc até que foi mantido bem original, com exceção das juntas de cabeçote de metal Screaming Eagle (divisão de performance da H.D.) para suportar a maior pressão na câmara de combustão. Os comandos de válvulas foram trocados pelos da Screaming Eagle 203, fazendo o motor falar forte depois dos 3.500 giros – em baixa a moto ficou lisa pra andar. O filtro de ar usado é um K&N cônico direto na boca da turbina, enquanto as velas (também Screaming Eagle) são um pouco mais frias que as originais. Bobinas e cabos de velas também são de fábrica, bem como módulo de ignição. Esse módulo recebeu programação da Screaming Eagle chamada EFI TUNER, que permite refazer os parâmetros de combustível e ignição, além do limite de rotação do motor.

O sistema de embreagem recebeu molas mais duras, para suportar o maior torque e os freios estão com malha aeroquip nos flexíveis e óleo Dot 5.1 da própria Harley. Outro pequeno acerto se deu na suspensão dianteira: óleo Motul Factory Line 32, um pouco mais denso que o original, apenas para aumentar a carga do conjunto, afim de manter a dianteira mais colada ao chão.

No visual, a Road King turbo ganhou pintura especial com pequenos pigmentos de azul perolizado no branco. Pelo painel, além dos novos instrumentos, foram colocados apliques em fibra de carbono. Pouco se comparado às Harley feitas no Brasil e no mundo, porém diferente pelo caracol no motor que melhora o rendimento, além de espirrar como os motores de carros preparados.
É de deixar qualquer vizinho boquiaberto. Principalmente se ele for proprietário de outra Harley Davidson.

Fonte: revista Supermoto – ano 01 – nº 4

 
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História da Harley Davidson

Milwauke, 1903. O jovem Bill Harley e dois amigos, Arthur e Willian Davidson, construíram sua primeira motocicleta num barracão nos fundos da casa de um deles. Até hoje, é lá que se encontra o prédio administrativo da Harley-Davidson. Quando os Estados Unidos entraram na Primeira Guerra Mundial, as motos deram início à sua participação na história. Os soldados americanos invadiram o território alemão gloriosamente montados nessas máquinas. Assim que a paz se estabeleceu, elas ocuparam seu lugar nas pistas de corrida, e foram as primeiras a vencer uma prova de velocidade a mais de 100 milhas por hora. Na Segunda Guerra Mundial, a Harley especializou-se em construir motos de uso exclusivo militar, extremamente sofisticadas para a época. Quando a guerra acabou, o mercado americano emergiu e aqueles que haviam lutado tornaram-se os principais compradores das motos, desejando vivenciar o espírito da Harley Davidson como civis. Esse espírito tomou conta dos anos 50, quando os motoqueiros tornaram-se o centro das atenções, símbolo de liberdade e masculinidade. Nos ano 70, a febre harleira explodiu, e a fábrica deu uma salto de produção de 15.000 a 75.000 motocicletas por ano. Porém, isso ocasionou uma queda na qualidade das máquinas. A fábrica amargou anos com revezes financeiros e administrativos, até que, na década de 80, as coisas começaram a mudar. A diretoria da empresa decidiu dar mais poder de decisão aos funcionários, que recuperaram o sentimento de que eram artistas, e não somente mecânicos. Voltaram a criar motocicletas com estilo e qualidade.

Desde então, a Harley ocupa seu lugar no mercado e no coração de milhares de pessoas com força total. E se esmera em manter a essência original de suas motocicletas, calcada na história que existe por trás de cada uma delas. Willie G., o vice-presidente de design da marca, cresceu entre as máquinas e seu talento foi decisivo para manter suas características até hoje. Com imenso conhecimento das motocicletas, ele criou modelos famosos nos anos 70, como a moto Super-Glide, carenada, com motor de 74 polegadas cúbicas; a Low Rider, a Sturgis e a HeritageSoftail. Ele conseguiu resgatar o look dos anos 50, com cromo, tanques grandes e a velha cabeça-de-boi pesando mais de 300 quilos. Willie G. sempre acreditou que a moto tem de mexer com as pessoas, não basta somente ser rápida, econômica e ter um custo razoável. Segundo ele, ao olhar para uma Harley, captar a luz através de seus cromados, as pessoas devem ter a sensação de estar diante de uma jóia. Ele está certo.

Mais do que uma marca de motocicletas, a Harley Davidson pode ser considerada um mito. É sinônimo de paixão, de uma história de respeito e liberdade. Não há como ignorar sua presença. Desde o ronco forte até a aparência singular, a marca, como nenhuma outra, representa um estilo de vida, verdadeira essência do andar em duas rodas. Os harleiros formam uma organização além-fronteiras, em diversos países do mundo, reunindo-se em grupos com as mais variadas características – jovens, velhos, crianças, homens e mulheres, solteiros e casados, unidos por um único laço: o amor pela Harley Davidson. Em Curitiba, aos sábados de manhã, é comum encontrar os motoqueiros reunidos no estacionamento da loja da Harley, na Avenida Batel. É uma festa para os olhos.

 
 
Fonte: revista Mueller – primavera verão 2005
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